Conta-se que, em tempos, existiu na Invicta valoroso grupo de nómadas trovadores que se ocupariam, no pouco tempo livre, de enfermidades orais. Os registos mais ancestrais apontam a sua génese no longínquo ano de MCMXCVII, referindo os egrégios anciões uma serenata à mítica Coimbra como a semente desse nobre grémio. Alguns portuenses, fantasistas, juram que os lendários poetas cantores descendiam directamente de uma linhagem de civilizações já esquecidas que, no auge da sua expansão, arrestaram arraiais na lusa invicta em pleno êxtase com a beleza das suas donzelas; gente séria e objectiva advoga Eras ainda mais ancestrais, alvitrando geração espontânea a partir dos imaturos produtos do Big Bang; Porém, a hipótese que os estudiosos académicos afiguram como mais provável assegura os insígnes heróis como excomungados de Baco, dados em demasia aos prazeres da vida – ao ponto de eclipsarem a própria figura mitológica! Num ponto todos concordam: Dentuna era a bandeira que agregava as hostes…

Estas são histórias toldadas pelas brumas do passado… Foram esquecidos os troféus amealhados, e as trevas apoderaram-se do espírito primordial, condenando os apaixonados errantes a uma espiral de decadência que consumiu a chama ancestral. Poucos vestígios deixaram – quedou somente uma centelha dessa ardência que os movia… apenas um vestígio, é certo, mas que os parcos e desmemoriados descendentes desses áureos tempos sorveram intensamente! E sem qualquer outra herança, agremiaram-se em MMV+I numa nova jornada épica.

Reanimada por novo sangue, a Fénix desaparecida (re)encontrou um fulgor tal que eclipsou as próprias lendas fundacionais! Indiferente às gritantes privações monetárias, materiais e mesmo humanas – humanas, não, tunísticas, já que os nobres Tunos que de novo animam as noites da invicta são de uma estirpe comprovadamente sobre-humana! – o estreante plenário reinventou, da cacofonia à sinfonia, todo um nome e tradição num esforço contínuo sem limites à ambição, inaugurando a Tuna de Medicina Dentária do Porto. Posto um fim no incessante ciclo de vida e morte, é seguro afirmar que as conquistas acumuladas não têm qualquer paralelo na interrupta dos seus ancestrais.

Hoje um grupo inabalável e meritório, sempre pronto a enfrentar as hordas de fãs selvagens, a distinta irmandade cresce incessantemente, trilhando o seu próprio irreverente azimute no lotado oceano da tradição académica, rumo ao aconchego dos sonhos das donzelas. Como prémios guarda os sorrisos na audiência; mas se é esse o fim último, nem por isso renuncia ao reconhecimento dos pares, presenteando inúmeras plateias com vibrantes demonstrações de alegria! E enquanto assim o for, a Tuna de Medicina Dentária do Porto não descansará à sombra dos louros conquistados: a alma nómada vibra em tão galantes trovadores, e impele-os à conquista de todo um mundo de inocentes desconhecedoras de sua verdadeira paixão… Por isso, doce donzela, atenta, que a tuna ronda por ti!

 

Novembro de 2009

Magister Jubilatus João "Cojones" Alves